A IA SERVE MESMO PARA O QUE?

Um guia prático da IA atual

4/15/20263 min ler

Voltando ao meu assunto preferido do momento, IAs, com tanta polêmica por aí, a pergunta que você precisa fazer é muito simples: para que eu preciso de IA?

Antes de responder, vamos a alguma polêmicas:

  • A bolha da IA vai estourar - já abordamos aqui e, para a maioria das pessoas, isso não muda nada.

  • As LLMs (modelos de linguagem longa ou natural) chegaram no limite - essa ainda é uma afirmação de alguns especialistas, mas tem um fundo de verdade. LLM é o primeiro modelo de IA generativa de uso massivo e, assim como aconteceu quando a bolha da Internet estourou, ele é o precursor do que vem por aí.

  • A IA alucina e não dá respostas verdadeiras - essa é mais filosófica: o que é a verdade? A IA atual baseia-se muito no usuário e no seu histórico. Quer uma verdade bem indigesta? Ela é melhor em entender o que o ser humano pensa do que em ajudá-lo a pensar melhor, ou seja, somos ratos de laboratório. Por isso a META investe tanto em IA, por isso a Microsoft está por trás do ChatGPT e por isso o Google está tão empenhado. Dominar a IA significa dominar o comportamento humano para prever o que ele vai fazer. Esse motivo é que levou a Apple a seguir na direção contrária: a Apple não tenta antecipar o que o cliente quer, como sempre disse Steve Jobs, mas propor o que ele nem pensou ainda.

  • A IA alucina e é muito pouco eficaz - isso é mentira. Do lado filosófico, sim, ela foi feita para responder e ler o usuário. Mas ela tem mecanismos por trás que corrigem e melhoram a resposta. Mas errar deixou de ser humano e passou a ser artificial: com o erro, você tem um consumo de tokens mais alto do que precisa. E como as empresas ganham com isso? Quando você está desenvolvendo alguma coisa, a IA vai errar e vai consumir tokens aparentemente fazendo alguma coisa que não vai dar em nada. É exatamente igual a você falar que saiu de casa para um compromisso e ainda nem tomou banho. Neste caso, você ganha tempo. No caso da IA, ela finge que fez alguma coisa, enquanto consumiu seus créditos mas não usou processamento de verdade (que é o que custa para as empresas). Eu mesmo já tiver 30 milhões de créditos (em tokens do Rocket.new) devolvidos porque o agente dizia que tinha consertado algo mas não tinha.

  • A IA alucina - sim, porque ela está aprendendo. Alucinar faz parte do processo de tentativa e erro que, tirando qualquer teoria da conspiração da frente, é um estágio necessário para ela aprender. Agentes de IA são como crianças super dotadas: por um lado, têm uma habilidade fora do comum; de outro, são ingênuas e pueris em coisas básicas; e ambas vão aprender.

Essas são algumas teorias. Então, a questão não é se isso é verdade ou não, mas o que você pretende fazer com IA. Quem não usa IA hoje vive desconectado da realidade. Todo mundo usa pelo menos um pouco. Vou dar exemplos:

  • Toda pesquisa no Google hoje começa com uma resposta do Gemini.

  • O teclado do seu smartphone, que amplia quando você vai clicar, não tem um comportamento fixo: ele se baseia num modelo preditivo que usa um dos primeiros modelos de IA do mercado. Ele amplia a tecla que parece mais provável de acordo com o que você já escreveu e a posição do seu dedo. Por isso às vezes o erro se repete algumas vezes mesmo você digitando de novo.

  • A SIRI foi um dos primeiros protótipos de IA, 14 anos atrás, e quem já teve um iPhone em algum momento usou.

  • A Netflix (assim como a Amazon) já há muito tempo evoluiu seu modelo de indicação do algoritmo para a IA.

Mas isso ainda é apenas uma parcela. Vou dar alguns exemplos práticos e úteis para se usar a IA no dia a dia:

  • Não lembra uma função do Excel?

  • Quer uma análise rápida de dados de várias fontes e períodos?

  • Quer fazer uma pesquisa aprofundada sobre algum tema, que um dia você já pediu para a editora da sua enciclopédia?

  • Tem dúvida sobre alguma decisão a tomar?

  • Quer uma análise de um documento legal?

  • Quer uma imagem diferente, que não existe pronta ou que você precisa usar para fins comerciais?

  • Quer uma automação de tarefas do dia a dia, incluindo alertas pessoais?

  • Está com dificuldades para escrever um texto pessoal ou profissional?

  • Que análise de um modelo de negócios?

  • Quer um painel de controle que integre dados diferentes?

  • Toca algum instrumento ou gosta de escrever letras de músicas?

  • Tem uma ideia de aplicativo?

  • Precisa fazer um site?

Mais uma vez, isso é só uma pequena amostra. A questão da IA não é mais que, se ou quando, mas como você vai usar. Das estratégias de venda à produção de conteúdo, a IA é parte indistinguível da vida atual. Veja Internet: ninguém mais sequer fala sobre o assunto porque estar online é pressuposto. Aliás, é assim que este texto chegou a você.