A NECESSIDADE DE SER DESNECESSÁRIO
Nada é mais importante do que um legado imaterial.
1/6/20263 min ler


Profissionalmente eu sou uma pessoa muito inquieta: nunca estou satisfeito com o que sei ou com o que faço. Essa necessidade contínua de aprimoramento me faz ser curioso, interessado, aberto a novos conhecimentos. Esse é o lado bom.
O lado ruim é que isso gera uma inquietude que é difícil de aquietar. E gera uma sensação de que nunca sou bom o suficiente.
Pessoalmente, eu melhorei muito essa percepção quando descobri minha vocação de pai. Aprendi que a paternidade é um papel que desempenho muito bem, e não é na minha opinião, mas na opinião dos outros. Nunca me acho bom o suficiente em nada, não seria nesse papel tão crucial que pensaria diferente.
Mas o fato é que, vendo a evolução das minhas filhas, percebo que, se não ajudei o suficiente, pelo menos não atrapalhei muito. Porque uma verdade sobre liderança e paternidade é que é muito mais fácil atrapalhar e estragar as coisas do que contribuir e resolver.
Daí veio a ideia da desnecessidade. Minhas filhas são meu orgulho porque, ao longo do tempo, eu fui me tornando desnecessário para a formação delas. O amor que um pai tem por um filho jamais será supérfluo ou secundário, mas a liderança desse pai precisa sim se tornar desnecessária: é quando você percebe que fez um bom trabalho, quando vê que seus filhos são pessoas pelas quais você tem admiração. E isso só é possível quando elas não precisam de você para tomar as decisões, ainda que peçam. Porque filho, quando confia nos pais, sempre vai checar a opinião ou decisão, mesmo tendo certeza do que vai fazer. Perceber que você não é necessário para isso, que seus filhos sabem tomar a decisão correta sozinhos, é o resultado mais tangível do processo de criação.
O mesmo vale para a liderança corporativa. Um bom líder sabe que criou uma boa empresa ou uma boa equipe quando ele não precisa tomar as decisões, mas apenas contribuir com as decisões tomadas pelos subordinados. Ou, como disse no início, quando ele se torna desnecessário.
Vou dar um exemplo: Apple. Quando Steve Jobs voltou para o comando da Apple ele demonstrou a necessidade que a empresa tinha da liderança dele. Ele transformou a Apple de uma empresa quebrada na empresa mais valiosa do mundo. E tentou eleger um substituto que pudesse manter esse caminho, quando descobriu que teria poucos anos de vida. Ao fazer isso, ele passou a depender de uma pessoa que era ótimo segundo no comando, mas não primeiro. Talvez devesse ter colocado o Johny Ive no comando, porque era o executivo que traduzia as ideias de Jobs para os produtos. Não sei. O fato é que a Apple migrou de uma empresa revolucionária para uma empresa cada vez mais previsível. Não que ela tenha perdido sua capacidade de inovar, mas porque ela tomou um rumo muito diferente do que havia adotado. E isso porque ele deixou planos para os 10 anos seguintes da empresa.
A verdade é que ele não se tornou desnecessário: ele apenas reduziu a necessidade em alguns setores. O problema é que o patamar que ele criou era muito alto e talvez não houvesse alguém para rivalizar.
Especulações à parte, pense na liderança sempre como uma necessidade de se tornar desnecessário, ou seja, de transformar as suas decisões em aprendizados, em princípios, modus operandi, templates, padrões ou lições.
Esse é o caminho mais certeiro para se tornar um líder desnecessário. E esse tipo de liderança é mais necessária do que nunca.
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