EU POSSO AFIRMAR: A IA ME DEU SUPERPODERES. SERÁ?
A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original. (Oliver Wendell Holmes Sr. - frase normalmente atribuída a Einstein)
9/29/20265 min ler


Sempre quis ser músico. Sempre. Fiz 8 anos de piano clássico em conservatório, fiz canto lírico, aprendi a tocar bateria e sempre gostei de cantar. Participei de pelo menos umas 6 bandas ao longo da minha vida. E cheguei a tocar numa festa de final de ano.
Realizei meu sonho? Não. Quando cheguei no oitavo ano de piano vi que não tinha talento suficiente e nem disciplina para estudar como deveria. Se me esforçasse muito, seria um pianista mais ou menos. Achei que seria melhor me esforçar para ser um bom profissional de marketing.
Apesar disso, em todos esses anos, não desisti da música totalmente. Logo que descobri o Grarage Band comecei a compor e mixar umas músicas e sempre procurei estar envolvido com isso criando assinaturas musicais ou base para jingles. Nada realmente significativo e bastante esporádico.
Aí veio a IA, e eu descobri as ferramentas de fazer música. Nem preciso dizer que voltou o desejo de mexer com música mais uma vez. Primeiro, para fazer versões de músicas que gostava, mas depois para compor músicas e produzir, já que tinha algumas letras em mente. Afinal, fui parar na propaganda e, depois, no marketing por conta de gostar de escrever desde muito cedo.
Resolvi criar uma banda, uma identidade visual, componentes fictícios e vi que, para distribuir minhas músicas, tinha que ir mais além: perfil no Instagram, TikTok, Youtube e no Spotify, um domínio e um site próprio e criar álbuns, cadastrar numa plataforma de distribuição, entre várias outras coisas. Resolvi lidar com esse desafio como um projeto de marketing para conhecer melhor um target que não necessariamente lido no dia a dia.
Criar as propriedade (páginas, perfis, sites) é até fácil. O que não é fácil é produzir o conteúdo: clipes para as músicas. Usei um monte de ferramentas para isso. E fui populando conteúdo progressivamente.
A banda ganhou todos os componentes e lancei um primeiro álbum, inspirado nos ábuns que fizeram a trilha sonora da minha adolescência nos anos 80: U2, Queen, Peter Frampton, INXS, Beatles, The Who, Elton John, Fleetwod Mac etc. Letras todas em inglês. Aí, fiz mais um álbum com músicas em português, e mais um álbum em inglês. Aí vieram mais álbuns, sendo 6 lançados (totalizando 9), um pronto para lançar e um para lançar daqui um mês.
Aí é que a coisa fica interessante. Desde o início, monitoro praticamente todo dia os resultados de views, streaming e likes de cada álbum e música. Depois de 6 meses, havia passado das 100.000 visualizações, o que para mim era um feito e tanto. Claro que sonhava com mais, mas sabia que estava criando música para minha diversão e não para me tornar famoso. Então, já tinha minha recompensa a cada álbum pronto.
Quando estava para lançar o nono álbum, que me parecia o melhor de todos, tive um atraso e perdi quase 2 meses por conta de mudanças na plataforma. Quando o álbum finalmente foi para as plataformas, já tinha atrasado tanto que tinha outro álbum pronto e só não lancei porque, de repente, uma música desse álbum que atrasou resolveu viralizar. Embora em inglês, ela viralizou na Indonésia. De um dia para o outro, começaram a aparecer vídeos usando a música e as visualizações, likes e streaming começaram a crescer.
Resumo da ópera: neste momento, só essa música, que agora foi viralizar no México e em Honduras, além do Brasil, já chegou a 1,3 milhão de visualização, mais de 1.200 vídeos e o total da banda passou de 1,4 milhão.
O que isso significa? Não sei ainda, mas coloca muita coisa em perspectiva. Mostra que existe um mar de coisas que não conhecemos. Chegar a 1 milhão não me tornou um músico de verdade e nem acho que as músicas que faço, embora adore, sejam minhas criações mesmo. Minha contribuição para o resultado final é muito mais estratégica do que prática, como se fosse um produtor musical, que escolhe os temas, o estilo, os arranjos e a estrutura comercial das músicas. Decido desde as músicas à capa do álbum, passando por cada letra e arranjo.
E é aí que quero chegar. Essa experiência é muito enriquecedora como profissional de marketing. Ensinou a enxergar um novo mercado, um novo formato, uma nova abordagem e a criar uma marca do zero. Sou o responsável pela produção, pela entrega, pela venda e por definir o que deverá ser feito, tendo a IA como participante em várias etapas. Sou um desconhecido, sem apoio de uma marca já construída, brigando por um espaço onde tem desde formigas a mamutes. Não tenho lenço e nem documento, mas tenho um objetivo a ser alcançado: aprender me divertindo.
Minha experiência em Growth Marketing vem desse tipo de coisa, das experimentações que fiz ao longo da minha carreira. Tenho muito orgulho de marcas que ajudei a sair do desconhecimento para o sucesso, e não foram poucas. Mas nunca estive tão envolvido com as entranhas do negócio e num segmento que só conhecia como consumidor, que é a música na era dos streamings. Encontrar um conceito, construir uma marca e chegar num resultado não é novo, mas a forma de fazer isso, é. A IA acaba interferindo nos processos atuais muito mais do que jamais imaginamos.
Usar a IA nesse sistema é muito lúdico. E o resultado, estimulante. Mas, no fundo, sei que meu sucesso tem um tanto de imponderável que não sei até que ponto serei capaz de reproduzir. A síndrome de uma música só já assombrou bandas com The Eagles e não será a Velorah (minha banda) que será imune. A diferença neste caso é que eu sou um player desbravando um território ainda novo, que começa a se estabelecer.
Não tenho dúvidas de duas coisas: que músicas com IA serão a maioria das paradas dos próximos anos (infelizmente) e que a IA vai permitir às pessoas comuns fazerem coisas impensáveis, alias como já vem ocorrendo. Com a Internet + smartphone pela primeira vez o ser humano passou a ter acesso a toda a informação já acumulada pelo homem no bolso; com a IA, o ser humano passa a ter um time de especialistas nas mais diversas áreas do conhecimento pronto para participar da conversa.
Em tempo: a música fala sobre uma nova IA que surge e se apresenta de forma meio tímida às pessoas. Ela foi escrita por IA a partir de prompts meus. Como ela diz, alguns vão dizer que ela vai salvar o mundo, outros que ela não dura até o verão, mas a verdade é que no final das contas estamos todos aqui graças ao ser humano e é ele que decide o rumo que essa história vai tomar. Será?
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