EXATO OU APROXIMADO?

Quando mais imprecisa é a tarefa, mais preciso é o resultado.

12/18/20253 min ler

Véspera de Natal, escrever um artigo só faz sentido se estiver conectado ao momento. Não sou uma pessoa tradicionalista, mas respeito as tradições porque elas estão repletas de aprendizados bons e ruins.

Vendo minha filha, que é videomaker das boas e faz vídeos para empresas do mundo todo, lidando com a atitude das pessoas, me ocorreu uma frase: você é do tipo que faz exato ou faz por aproximação? Vou explicar... Ela estava lidando com a demanda de uma pessoa que faz o tráfego na agência e não é a pessoa que ela está acostumada. E percebeu que a pessoa estava mais acostumada com o processo do que com o resultado final. O problema era simples: produzir um vídeo sem ter tanto o conteúdo necessário quanto o roteiro adequado. Na visão dela, super técnica e detalhista, o resultado final ficaria aquém do desejado. Para a pessoa do tráfego, o importante era entregar.

Foi aí que me ocorreu essa frase: você busca exatidão ou aproximação? Se for para fazer uma resolução de final de ano, essa postura vai fazer a diferença. O Cortella fala que não devemos fazer o possível e nem o melhor possível, mas o nosso melhor. De forma resumida, essa é a diferença entre exato e aproximado.

Não adianta você querer oportunidades melhores, ganhar mais, melhores clientes ou projetos se você se contenta com 99%, se você acha que 4,85 e 5 são iguais. Nem tudo na vida permite exatidão e temos que lidar com isso. E nem sempre vamos conseguir ir além da aproximação. Porque nem tudo é exato e preciso, nem tudo é exatamente como queremos que seja ou como deveria ser. Ainda bem.

A questão é de postura. Se você é um vendedor de primeira linha, só vai ficar feliz se superar a meta por 10% pelo menos, para evitar a margem de erro. Se você é medíocre, quando atingir 90% já descansa. Se você cria uma campanha, um ótimo anúncio é bem diferente de um anúncio 90%. Sobretudo em coisas não mensuráveis, uma pequena margem de erro é suficiente para transformar uma música de boa em ruim, um filme de ótimo em porcaria e por aí vai. Quando menos matemático, mais a exatidão conta. Curioso né?

Pense numa neuro cirurgia, e tenho um amigo craque no assunto. Se ele se contentar com 99% de acerto na hora de realizar um corte, ele estará entre o sucesso absoluto e a morte cerebral do paciente. Tenso, né? Por isso um médico cirurgião deveria ser muito recompensado, porque um erro pode ser a diferença entre vida e morte.

Isso também vale para a engenharia, mas existem muitos cálculos e ferramentas para impedir um erro. Aliás, tem uma história genial de um arranha céu em Nova Iorque que ilustra a diferença entre aproximação e precisão. Na hora do projeto, com todos os cálculos feitos, o prédio era 100% seguro, apesar de usar uma estrutura inovadora, sem pilares nos cantos (em função do terreno, que abrigava uma igreja). O problema é que, na hora de construir, em vez de soldar, o responsável pela obra resolveu trocar a solda por parafusos, que resolviam a questão de forma mais rápida e barata. O problema é que o responsável não considerou rajadas de vendo de 120km/h atingindo os cantos do prédio. Nesse caso, o processo de torção seria tão violento que, em vez de 4 parafusos em cada junta, teriam que ser usados 30 parafusos, o que era inviável. A solução foi cara e complicada, mas no final tudo deu certo. Como disse, apesar de um erro pequeno, a situação poderia ser caótica e a economia virou uma dor de cabeça.

Mas na vida nem tudo é assim. Numa cirurgia mal feita, não dá para simplesmente cortar de novo. E, quando não existe risco de morte, aí a diferença entre mais ou menos e ótimo se torna muito difícil de mensurar. Por isso, se você vive de aproximação, escolha alguma profissão que a margem de erro pode ser calculada com precisão. O que é um paradoxo.

Caso contrário, opte por ser exato. Qualquer resolução de ano novo vai ficar mais fácil se você buscar essa precisão, essa dedicação. Faça o melhor que você puder e você vai descobrir que esse melhor melhora quando você persegue a melhora. Quem não evolui não para: involui. Na natureza e no mundo dos negócios, não existe estagnação: quem para está ficando para trás.

Fernando Pessoa disse: navegar é preciso, viver não é preciso. Por isso mesmo, nessa imprecisão, seja o paquímetro que mede milímetros, mas não do processo, da regra. Busque a precisão na qualidade do seu trabalho, na entrega do resultado. Não dê margem para o mais ou menos.