GIGANTES DE VERDADE NÃO DORMEM
Em tecnologia o próximo movimento só não é mais importado do que o seguinte
5/6/20264 min ler


No princípio era apenas um cursor piscando esperando um comando, que hoje se popularizou como prompt. Esse era o resultado de quase um minuto de espera da tentativa (muitas vezes mal sucedida) de acesso à Internet usando o número do Banco Rural. Depois, veio a Embratel, o Brasil Online e, por fim, o Netscape Navigator, o Alta Vista, o Eudora Mail, o ICQ, o conexão dedicada, os provedores…
Nesse primeiro momento, instantes após o Big Bang da Internet, tínhamos o UOL no Brasil e a AOL nos EUA como os grandes provedores de acesso, concentrando mais de 85% de todo o tráfego. Quem tentava buscar algum conteúdo no Radar UOL descobria as dores dos primeiros mecanismos de busca, como ele e o Alta Vista. Daí veio o CADE e a grande estrela da primeira onda: o Yahoo!
Ao organizar a busca de forma que as pessoas conseguiam usar seguidamente, o Yahoo mostrou que era possível encontrar ordem no caos. A Internet crescia à taxa de milhares de páginas por dia e o Yahoo criava uma trilha de migalhas de pão para nos acharmos.
Tudo parecia tranquilo e dominado, até que uma empresa com nome ainda mais estranho (para nós, brasileiros, Yahoo inicialmente foi nome de uma banda com Robertinho do Recife e sucesso traduzido do Def Leppard): Google.
Tão simples quanto o Alta Vista (só uma janela de texto e dois botões, Buscar e Estou com Sorte, mas mais poderoso que o Yahoo e suas inúmeras categorias então. De repente, descobrimos que o Yahoo organizava o caos visível, enquanto o Google organizava até o que nem sabíamos que existia.
Por trás do algoritmo insano de busca havia um mecanismo ainda melhor, de análise relevância, consistência e reputação que mudaram a Internet como conhecíamos. Daí vieram os links patrocinados e tudo o que conhecemos até hoje. Quer dizer, até ontem…
Um dos maiores trunfos do Google ao longo do tempo foi manter-se ativo e à frente. Yahoo praticamente morreu, Bing nunca foi relevante e os 90% de acesso à Internet passaram a ser de uma única empresa com múltiplos tentáculos: Ads, Analytics, Ad Sense, YouTube, Earth, Maps, Gmail, Cloud, Android, Firebase etc. Nem as redes sociais, que o Google criou e abandonou (não sem tentar voltar algumas vezes) conseguiram impacta drasticamente a posição do gigante que nunca esteve adormecido.
Daí veio a IA. E a Open.ai, com o ChatGPT. Outros vieram também, mas o ChatGPR veio com mais apetite e apoio. Daí o Google, que já estava na corrida, acelerou seu passo e entrou com o Gemini e suas versões e desdobramentos. ChatGPT lança uma nova versão, o Google vem com 3 novidades. Tão rápido que foi escolhido pela Apple, a mais cautelosa desse novo mundo.
Os pilares de sucesso do Google são sólidos e não são fáceis de atacar: são muitas frentes, todas com alguma entrega gratuita, o que ajuda a estabelecer a base de usuários. Maps e Earth, que custam caro para desenvolver e manter, não cobram, assim como Analytics (alguém lembra do WebTrends?), o mesmo vale para YouTube, Android, Gmail. Comprar o mercado e depois extrair receita progressiva é uma habilidade do Google.
Eu sei que a IA é diferente. IA ainda custa mais do que cobra, os tokens são subsidiados e existe um funil que está se estreitando e por isso tanta gente fala em estouro da bolha. A progressão geométrica da IA leva a progressão exponencial de armazenamento. Nesse cenário, o que poderia ser um fraqueza do Google vira fortaleza: ele já ganha dinheiro com esse ecossistema e pode subsidiar novas tecnologias sem perder dinheiro no final.
O domínio do Google é tão grande e sólido que ele até poderia descansar em berço esplêndido, mas não é o que ele está fazendo. De forma incansável, ele só cresce. Eu fiz um estudo com a ajuda do seu concorrente ChatGPT e tenho alguns número para mostrar:
. Mais de 90% do tráfego da Internet no mundo passam pelo Google (considerando onde ele está presente). No Brasil, passa dos 97%.
. A receita da maioria dos segmentos onde o Google atua só cresceu desde 2015, mesmo após a introdução da IA de forma massiva. Só o Google Network não tem crescido.
. O Google transformou alguns novos segmentos, como Cloud, em máquinas de fazer dinheiro crescente. E toda hora tem novidades.
Então, tá, está tudo sob controle, certo? Não. Todos os dados do estudo abaixo terminam em 2025, primeiro ano de participação significativa da IA no jogo. 2026 é um novo campo de batalha e teremos muitos rounds nos próximos anos.
Seria muito arrogante ou presunçoso de achar que o poder do Google pode diminuir nos próximos anos. Já fiz um questionamento sobre a Apple recentemente e as mudanças recentes no comando e produtos mostram que se eu sabia de alguma coisa, eles com certeza já sabiam e já tinha resolvido antes de eu pensar em fazer o artigo. O mesmo caso é agora: é possível que o poder do Google seja mesmo dominante porque a IA ainda está na mais tenra idade; mal começou a engatinhar. Então, a questão não é se haverá mudanças, mas quais mudanças e quando.
Uma coisa é fato: assim como o Yahoo, o Netscape parecia imbatível, o Blackberry era onipresente, a Nokia era inovadora e a AOL era dona do mercado. No mundo digital não existem lugares garantidos e o que você está fazendo neste exato momento é mais importante do que tudo o que você já fez até hoje.
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