IA, UAI

A necessidade de IA é mais básica do que você imagina

12/4/20254 min ler

Desde que comecei a trabalhar em marketing, toda que vez que precisei de tecnologia enfrentei o mesmo problema: atrasos, escopos que nunca são suficientes e gastos sem fim. Vamos lembrar que eu trabalhei com algumas das melhores empresas do mercado: bancos, seguradoras, e-commerce, companhias aéreas, clientes internacionais etc. Ou seja, problemas com tecnologia não são casos isolados e o motivo é simples: até 2019, a expectativa de falta de mão de obra especializada em TI era estimada em quase 500.000 profissionais.

Após a pandemia, esse quadro mudou, mas não muito: com a crise gerada pelo fechamento dos países, as empresas acabaram enxugando seus quadros e começaram a sobrar profissionais qualificados. Ao mesmo tempo, a necessidade de estar on-line só disparou e, mesmo com dezenas de cursos gratuitos que passaram ser oferecidos, a equação continuou sem solução.

Uma das coisas que me ajudou muito ao longo da minha trajetória profissional foi a compreensão não apenas da necessidade de tecnologia, mas de como ela é desenvolvida. Não quis me tornar programador, embora tenha aprendido muito sobre isso, porque preferi focar no que para mim é a origem de tudo: negócios. Sem negócios, sem vendas, a tecnologia é inútil. Mas sem tecnologia, os negócios não sobrevivem.

Mas por que essa dificuldade de formar profissionais de TI? Por que esse eterno descompasso entre o que a área de gestão e negócios busca e o que a tecnologia entrega? Seria culpa do usuário? É culpa das ferramentas? Ou seria um pouco de tudo? Algumas pistas:

  • Desconhecimento - negócios mudaram muito nos últimos anos e a tecnologia mudou mais ainda. Nem os desenvolvedores conhecem a fundo o que a tecnologia pode fazer de bom ou ruim e nem os profissionais de negócio entendem todas as necessidades do negócio. Acima de tudo, nem negócio entende a fundo de TI, nem TI conhece a fundo do negócio. Cada um fala sua própria língua e acha que está sendo compreendido pelo outro. Existem poucos intérpretes e sei porque sempre fui um deles.

  • Silos empresariais - historicamente as empresas se especializaram a criar trincheiras entre as diversas áreas. É comum os departamentos colocarem seus interesses acima dos interesses da empresa e isso, com TI, se consolidou num outro nível. Porque, em geral, as áreas de tecnologia são valorizadas e não raro os líderes nascem daí. Controle e poder.

  • Narcisismo - desenvolvedores de TI, em geral, têm uma certa tendência a se apaixonar por suas criações. Códigos perfeitos mas que não resolvem a necessidade de negócios são muito comuns. Assim como projetos que parecem existir apenas para justificarem a si próprios. É a tecnologia pela tecnologia, não pela necessidade ou função. É o preciosismo totalmente desnecessário para um projeto que pode não ficar pronto.

  • Escopos intermináveis - esse conjunto de fatores leva a escopos que nunca fecham ou que abrangem tanta coisa que não vão nunca se tornar viáveis. Sem um escopo bem definido, não existe projeto sustentável. Aí, eles acabam como reformas em casa: não terminam, apenas são abandonados. Em 98% dos projetos, o atraso é tão grande que, quando eles estão próximos de ficarem prontos as necessidades que originaram o investimento já mudaram. São o que Jesus chamou de sepulcros caiados.

E como resolver isso?

Num mundo ideal, profissionais de tecnologia deveriam entender profundamente as necessidades de negócio e profissionais de negócio mergulhariam no conhecimento de TI. Um entendo as necessidades do outro, tudo ficaria mais fácil. Mas isso raramente acontece ou acontece com profundidade suficiente para acabar com as dissensões.

Aí chega a Inteligência Artificial e passamos a ver uma luz no fim do túnel. Com a IA, a primeira grande mudança está na velocidade de desenvolvimento: de anos para dias. A segunda mudança é o poder de desenvolvimento, que sai das mãos de TI e vai para as mãos de negócio. O terceiro é o escopo: com velocidade, agilidade e necessidade de mão de obra menos específica, os projetos podem resolver um problema de cada vez. Ou seja, a IA não se limita aos silos, não fica presa no narcisismo e os escopos se tornam viáveis. Mas e o desconhecimento?

Aí é que está a questão: se negócios continuarem a achar que o domínio da tecnologia não faz parte de suas atribuições, nada muda. Pior: mais difícil do que conseguir que profissionais de negócio entendam de tecnologia é conseguir que os profissionais de tecnologia adotem a IA. A miopia é tanta que eles acham que isso vai prejudicar o trabalho deles.

Abandonar as áreas de tecnologia? Antes fosse assim simples. Tecnologia é crucial, mas deveria ficar com as soluções que exigem conhecimento específico e muitas camadas de segurança ou desenvolvimento muito criterioso e complexo. Infraestrutura, ambientes de desenvolvimento avançado, segurança. Aplicações de negócio devem ficar com as áreas de negócio. Simples assim.

Não se iluda: quem não aprender a usar a IA a seu favor vai lutar uma batalha perdida e só vai perder tempo e dinheiro. Não cometa esse erro. Aproveite a melhor chance que já surgiu de ter tecnologia que funciona no tempo e custo que sua empresa precisa.

It’s now or never.