O ÚNICO PERMANENTE É A MUDANÇA
Mudar é difícil; não mudar é impossível
2/26/20263 min ler


Essa frase, o único permanente é a mudança, eu ouvi de um ex-presidente de uma seguradora, para ilustrar o período que estávamos passando. Ela me voltou à cabeça assistindo a um corte de uma entrevista do ator Christoph Waltz citando Voltaire: se a mudança é incômoda, a permanência é absurda.
Esse conceito, de mudança versus permanência, é uma constante em nossas vidas, especialmente no mundo hoje. Ele pode ser aplicado tanto para o radicalismo do pensamento, quando as pessoas acreditam que suas ideias são permanentes e imutáveis, quanto para a realidade profissional num momento de boom da Inteligência Artificial.
Se mudar é muitas vezes doloroso, tentar permanecer igual é absolutamente impossível em épocas de carreiras e relacionamentos líquidos, rupturas tecnológicas, descobertas transformadoras. A questão é: como aplicamos isso na prática? O que podemos aprender com essa impermanente realidade?
Com relação à Inteligência Artificial, o conselho é muito simples: embarque, para não ficar para trás, mas não aposte em nenhuma verdade definitiva. Todas as verdades existentes são temporárias, enviesadas e baseadas numa realidade que ainda está sendo construída. Mesmo os especialistas de IA das maiores empresas do segmento ainda não tem certeza do panorama final. Ao contrário de uma ferramenta comum, a IA muda o contexto, a premissa, o compreensão. Ainda é muito cedo para estabelecer paradigmas.
Agora, uma coisa é especular possíveis desdobramentos desconhecido e outra é ignorar o que já existe. E aí entra uma realidade mais complicada. Como exemplo, uma das maiores empresas de software, a Adobe.
Quem começou a usar computadores anos 80 e 90 se deparou com uma revolução que se chamava Windows e com um software de edição de imagens pioneiro: o Adobe Photoshop. Embora não tenha sido criado pela Adobe, o Photoshop ajudou a criar um império que depois se consolidou com a compra da Aldus (Page Marker), a Macromedia (Flash e Dreamweaver), que se juntaram a Illustrator, After Effects, Illustrator e, principalmente, o Adobe Acrobat Reader.
No modelo de assinatura, a Adobe atingiu o auge no período 2010/2020. Muitas empresas tentaram concorrer, mas nada se comparava ao Adobe Creative Cloud, uma plataforma quase completa para quem mexe desde edição de fotos a criação de artes, edição de vídeos e editoração. Nada poderia ameaçar a Adobe, tanto que a empresa começou as primeiras experiências com IA quando ainda não se falava muito do assunto.
O problema da liderança é o conforto, o fim do senso se urgência. Ao se tornar dominante, a Adobe começou a enxergar seus concorrentes como iniciativas isoladas. E não viu o crescimento do Canva, do Midjourney e de vários concorrentes menores. Mas esse não foi o maior erro da companhia.
O maior erro foi exatamente no item que ela se achava tão inovadora que poderia comandar o ritmo: IA. Todas as promessas de IA de 2019 foram cumpridas em 2025, e mesmo assim de forma lamentável. Quem conhece o Photoshop desde a versão 3, por exemplo, e lida com uma versão 2026, tem um palavrão espontâneo a cada 30 segundos e nenhuma ajuda de IA que seja digna de mencionar. Em 2025 a pífia IA da Adobe alucinava mais que trabalhava. Agora, não trabalha porque não tem nada de interessante para oferecer. A ferramenta que tem a varinha mágica, o laço mágico, o carimbo, o mapeamento de imagens, a interpolação e a clonagem desde sempre não soube transformar o uso dessas ferramentas com o uso de IA, levando o usuário ao mesmo espanto que levou em 1995 ou 96, por exemplo.
E não é só isso que não evoluiu. Muita coisa piorou muito. Não existe mais o auxílio: agora, o programa é intrusivo e tenta tomar decisões pelo usuário. A Creative Cloud é uma colcha de retalhos que não consegue apresentar uma navegação coerente e intuitiva. Você abre 300 abas e não necessariamente consegue o que quer. E não funciona no mobile. Pior: o app mobile não serve para nada.
Mais um gigante que dormiu em berços esplêndidos e que começa a não saber como justificar o valor cobrado. E olha que não entrei nas ferramentas de animação com IA, que são ridículas. A cada update do pacote Adobe, eu sinto que a usabilidade e a facilidade de uso andam para trás. Estou vendo a hora que o Photoshop vai chegar à conclusão que não precisa de laryers, como eram as versões iniciais.
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