QUANDO O MEDO DA DERROTA TIRA A VONTADE DA VITÓRIA

O Brasileiro prefere o sonho à realidade.

7/8/20263 min ler

Como era esperado, o Brasil não será hexa-campeão desta vez. Para a supresa de absolutamente ninguém, o time ficou mais uma vez pelo caminho. Podemos listar várias coisas que levam a mais esse resultado frustrante para os brasileiros, a começa pela bagunça na gestão da CPF, a falta de organização do nosso futebol, a gestão nada profissional que os times têm desde o processo de peneira na base, a corrupção e mais um monte de coisas que qualquer pessoa bem informada conhece. A seleção brasileira personifica o conceito de louco de Einstein: faz tudo igual e espera um resultado diferente.

Mas não é isso o que eu quero abordar. Enquanto o brasileiro chora a eliminação precoce, o argentino comemora mais uma vitória na raça da sua seleção, essa sim uma das favoritas. Do jogo eletrizante contra Cabo Verde à virada impensável contra o Egito, a Argentina mostra que não tem apenas Messi, que ainda errou um pênalti no início do jogo, mas também um outro talento que falta cada vez mais ao brasileiro: gana.

O brasileiro médio perdeu isso e aceita ser massa de manobra da direita e da esquerda. O profissional médio no Brasil aceita se submeter às condições profissionais ou, pior ainda, aceita ficar desempregado para viver de ajuda do governo e fé no jogo. O torcedor brasileiro encara perder de 2Xx1 como um fato positivo, considerando que poderia perder de mais desde que o 7x1 mostrou que somos apenas mais uma seleção. Primeiro, deixamos de jogar bonito para ganhar. Depois, deixamos de ganhar. Antes perdíamos jogando bem e hoje perdemos jogando cada vez pior.

O medo da derrota e mesmo a falta de esperança na vitória tiraram do brasileiro, em todos os setores, o desejo de vencer. Aceitamos o placar mínimo e até a derrota, que já sabemos como lidar, porque não sabemos se seremos capazes ou quais responsabilidades virão com a vitória.

O jogador argentino, tendo nascido num país de terceiro mundo e dificuldade financeira, enfrenta praticamente todos os perrengues que o brasileiro enfrenta. Um ótimo exemplo é o Messi, que teve que ir para Barcelona porque na Argentina nenhum time queria bancar seu tratamento. Mas a relação dele com o país é tão forte, que preferiu, mesmo assim, jogar pela Argentina. O sentimento patriótico prevaleceu. Pergunta: quantos brasileiros fariam o mesmo?

O sentimento dos jogadores e da população brasileira é um só: cada vez mais a camisa é pesada, difícil, estigmatizada e o retorno, mínimo. Acertar é obrigação e errar é fatal. Que o digam Barbosa e Zico, dois jogadores que viraram símbolo das derrotas brasileiras. Mas não pense que perdemos por isso. Perdemos porque desaprendemos a ganhar. Deixamos a diferença econômica falar mais alto, a admiração virar medo e o desejo de fazer parte apagar nossas raizes.

O Brasil não se assusta com mais nada, não se indigna com nenhum escândalo e não para para exigir mudanças. Protestos são micaretas, onde o resultado não importa. Queremos mudanças, mas aceitamos ficar com as migalhas.

No Brasil, não basta vencer o adversário: é preciso superar o juiz, o gandula, o gramado, a torcida, os organizadores, as regras, o clima e a tecnologia. Tudo é feito para dar errado. Tudo é feito para fazer você jogar a toalha. Vencer não é uma opção, é um exercício de teimosia. O brasileiro não é forte e nem resiliente: é teimoso.

Não me espanta os jogadores serem tão apáticos: afinal, os bolsos estão cada vez mais cheios graças às onipresentes bets e centenas de patrocinadores sem nenhuma criatividade que confundem colocar celebridade paga com testemunhal. Mas a população não está. Ou será que o festival de bolsas é suficiente para ter uma vida próspera e sonhar? Não trabalhar por um valor miserável é cada vez melhor para muita gente do que se esforçar por um salário miserável.

Acho que o Brasil não se importa mais em vencer. 11º lugar está bom. Só a ilusão momentânea é suficiente porque daqui a pouco vem final de ano, Carnaval. E a qualquer momento tem um tigrinho, uma bet, uma Mega-Sena para apostar. Enquanto vive no sonho de ter sorte em jogos de azar, a vida vai passando e o país vai colecionando escândalos, negociatas, sendo atropelado pelo mundo.

Dos BRICS, só o Brasil continua a ser o país do futuro. Todos os outros estão fazendo, bem ou mal, suas lições de casa. Mas o Brasil, não. Quem precisa de sorte ou trabalho duro se Deus é brasileiro?

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