UM MUNDO TOTALMENTE NOVO

Visto pelas telas que tanto conhecemos

7/3/20264 min ler

O IBGE divulgou nesta quinta, 02/06/26, os dados atualizados da PNAD Contínua mostrando o acesso à Internet no Brasil. A maior parte dos dados, coletados no último trimestre de 2025, não representa nenhuma surpresa ou novidade, mas alguns desses dados valem uma reflexão mais profunda.

Pela primeira vez o acesso superou os 90% da população acima de 10 anos. Isso significa que, dos 186,4 milhões habitantes, 168,7 milhões acessaram a Internet pelo menos uma vez nos 3 meses anteriores à pesquisa. Mais importante do que o volume total é constatar que, para 95,6% desses usuário, o acesso é diário. É impressionante esse dado, considerando os diversos problemas e características geográficas do país. Embora o número de internautas ainda esteja, na zona urbana, 8,5 pontos percentuais acima da zona rural, essa diferença vem encolhendo ano a ano e, com o acesso via satélite se popularizando, deve inexistir em breve. Para se ter uma ideia, a população na zona rural dobrou desde 2016, quando começou o estudo.

Mas talvez o dado mais impressionante desse estudo esteja nos dispositivos utilizados. Claro que o campeão é o celular, e isso lembra a importância da privatização das teles há mais de 20 anos. Graças ao celular (e a Steve Jobs), o acesso à Internet é tão onipresente no país e já chega a 98,7% dos usuários. E aí vem a surpresa: a TV passou o computador. De apenas 11,3% dos acessos em 2016, hoje a TV responde por 57,8% dos acessos, participação que ela “roubou” do desktop, que caiu de 63,2% para 33,4%.

Embora a aparente estabilidade do computador indique, segundo o IBGE, que sua participação parou de cair, eu acredito que esses dados vão ser ainda mais surpreendentes pós Copa do Mundo. Se tem uma coisa que esta Copa está mostrando é que o brasileiro continua televisivo, mas agora não mais para a TV aberta ou cabo, mas para streaming. E não há dúvidas que o sucesso da Cazé TV vai influenciar o consumo de entretenimento, de esportes a shows.

Isso leva à reflexão que sugeri no início. Para nós, como profissionais de Marketing e de Growth, o que isso representa? Eu tenho uma lista…

  • Aplicativos - quem já tem App para Celular tem que olhar para a TV. E quem não tem nem para Celular, tem que pensar TV e Mobile first.

  • Embora o acesso massivo, neste momento, seja influenciado por Youtube, no médio e longo prazo isso vai mudar. A TV já era onipresente na casa do brasileiro e cada vez mais isso vai influenciar o consumo de entretenimento e conteúdo.

  • Formato muda - a TV não apenas oferece uma tela maior, um som melhor e uma interface de controle diferente: a experiência é diferente. Então, o uso de IA deve crescer para simplificar a interface, ainda meio burocrática para a maioria das pessoas. Vamos lembrar que os games já se depararam com essa situação e já resolveram.

  • Formato de publicidade - quem está assistindo à TV via streaming não quer publicidade tradicional. Ela é chata, invasiva, inútil. Quem está assistindo à Copa via Cazé TV já viu a diferença entre os formatos. Votação, descontos via QR Code, sorteios durante o intervalo etc devem ganhar cada vez mais espaço. Quem tem bala na agulha para anunciar nessas transmissões tem que ter capacidade de fazer ativação, ou vira paisagem. Coisas que a Globo nunca soube fazer e por isso perdeu espaço. Pelo menos no Brasil ainda sobra verba e falta ousadia.

  • Lembro de ações tanto de marcas de cerveja quanto de marcas de veículos criando interação em tempo real unindo Youtube (logo que ele foi comprado pelo Google) e SMS (que hoje merece ser via WhatsApp) para promover interação. Cases históricos que ainda impressionam. Um dos melhores exemplos dessa Copa é a Michelob Ultra, que patrocina o melhor jogador da partida. Muito legal, mas o resultado acontece fora da tela e da transmissão. Seria mais legal se o resultado aparecesse logo após a interação, como acontece com os chats. Quem entendeu isso melhor do que ninguém foi o Instagram, que não deixa você sair da plataforma.

  • Obviamente, com essa tendência, sistemas operacionais das TVs e processadores dos dispositivos precisam melhorar cada vez mais, assim como a interface de navegação, download e, principalmente, interação. A TV precisa incorporar o que o computador tem de melhor e a possibilidade de usar os celulares como interface para permitir que a interação seja cada vez melhor e mais fluida e o resultado não leve para outra plataforma.

O crescimento da TV não muda tudo, mas muda muita coisa. Computadores, por mais que sejam usados por mais de uma pessoa (desktops pelo menos), não são de uso coletivo simultâneo como a TV. Já o celular é sim individual, mas pode representar um meio para o acesso em grupo.

Isso muda a forma de comunicar, de interagir, de vender e de produzir conteúdo, o que representa oportunidades tanto para os aplicativos já estabelecidos como para o surgimento de novos. A verdade é que estamos vendo a convergência do streaming e será difícil separar em pouco tempo o que são redes sociais e o que são plataformas de streaming.

É muita mudança ao mesmo tempo e entender o que isso impacta no negócio pode ser a diferença entre sobreviver e morrer. Veterano que sou da Internet, vi morrer o Fax, as Páginas Amarelas, as livrarias físicas, o jornal (que está agonizando), as revistas (idem), os Guias de Bairro, negócios de dezenas e dezenas de anos, assim como o My Space, o Second Life, o Four Square e o Orkut. Quase 90% das 100 maiores empresas atuais não existiam 50 anos atrás. Com a IA, os próximos 5 serão mais transformadores do que os últimos 50.

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