VAI SER ÓTIMO, NÃO FOI?
A IA já está gerando os resultados prometidos para 2027. Quem demorar muito para entender o que está acontecendo, vai de repente se sentir no passado sem saber como chegou lá.
8/30/20264 min ler


Na pandemia, assistimos ao vivo e a cores um fenômeno que poucas vezes é tão evidente: a progressão geométrica. Enquanto na Itália faziam filas de carros fúnebres aqui apenas meia dúzia de pessoas estava contaminadas e muita gente não entendia como a situação aqui ficaria como lá.
De repente, não existia diferença. Em apenas 2 meses saímos de meia dúzia de casos para dezenas de milhares. Isso acontece todos os dias no mundo, mas dificilmente é tão gráfico e evidente.
Isso é exatamente o que está acontecendo com a IA. Em poucos meses o futuro virou presente e a meia dúzia de aplicações se transformou em milhões. E muita gente não percebeu.
Exemplo prático: em Maio deste ano comecei um esforço pioneiro para avaliar o GEO ou AEO (como quiser) de uma marca líder no SEO em seu segmento há anos. 20 anos, para ser mais preciso. Uma marca com tanta visibilidade no Google, líder no seu segmento, com grande vantagem sobre seus concorrentes, deveria ter uma visibilidade no mínimo significativa. Não era, era traço.
Em IA, a marca não estava nem entre os 10 maiores. Era eventualmente citada pelo ChatGPT e só. Essa iniciativa eu descrevi num artigo e estava extremamente contente porque, em 2 meses, já éramos o líder disparado, Para se ter uma ideia, um concorrente tinha 80% do mercado, enquanto éramos traço e, em 2 meses (e muito trabalho por trás), viramos líderes.
Hoje, praticamente 4 meses depois do início, ampliamos a varredura incluindo concorrentes indiretos e muito maiores (3 vezes, no início), e estamos disputando ponto a ponto com esses concorrentes. O antigo líder tem 1/5 do nosso tamanho agora.
E essa nem é a parte mais bonita da história. Em 4 meses, a IA foi de algumas vendas espaçadas para a segunda fonte de matrículas, só perdendo para o Google (tá, parte do que reporta como IA é gerada pelo Google de qualquer forma). Mas se perde em vendas, ganha em receita. Ou seja, em 4 meses saímos de meia dúzia de vendas para quase 300 vendas em um mês.
Isso é mais uma vez progressão geométrica ao vivo e a cores. Claro que o esforço de ser líder em citação de IA objetivava vendas, mas não nesse curto espaço de tempo e nem nesse volume. E não houve fogos de artifício e nem um evento marcando. De repente, em Agosto, boom.
Quando a mudança é exponencial, ou você tem o gráfico total para ver o exato momento de aceleração da curva e projetar os números, ou não vai ver as mudanças acontecendo até que seja tarde demais para tomar alguma medida. Conter o tsunami é bobagem e impedir é impossível. Acompanhar é insuficiente. Então, em vez de tentar nadar contra a corrente ou esperar que ela reduza, pegue a prancha logo e surfe.
Imagine que você é um líder de um mercado que você mesmo criou e que tem pelo menos 95% de participação. O que você faz se essa participação cai para menos de 90% em pouco tempo? O Google viveu essa situação recentemente e não esperou para fazer o que só um líder de verdade pode fazer: reinventar o negócio. Tornou-se líder porque criou e resolver recriar para continuar. O modelo de busca que ele criou ele mesmo recriou e aceitou mudar de forma que parece contra-senso.
Sem entrar de detalhes desnecessário, a genialidade do Google, desde que desbancou o Yahoo!, foi transformar qualquer busca em uma pequena caixa de texto onde, um poucas palavras, você encontrava o que queria. Primeiro, ele criou um mecanismo alimentado automaticamente que fazia a busca aprender com seus erros e acertos. Depois, para bancar essa estrutura bastante cara, ele criou um modelo de remuneração semelhante a páginas amarelas (Craig's List, para ser mais preciso): quem paga mais aparece mais e melhor. E isso virou o modelo para toda e qualquer busca.
Acontece que a busca do Google começou a sofrer concorrência do ChatGPT muito rápido. Isso levou à queda na participação de mercado e o Google sabia melhor do que ninguém que não era necessário muito mais tempo para perder a liderança. Exponencial, lembra? Então, ele se reinventou, correndo o risco de prejudicar seriamente sua receita de anúncios.
Mas o Google não fez isso num rompante. Como um dos principais players de inteligência artificial, ele sabia que as mudanças eram inevitáveis, muito mais amplas e já tinha criado alternativas para garantir as receitas de outras fontes. E sabia que o modelo de busca e link patrocinado estava perto de se esgotar. A princípio, ele criou uma série de novos modelos de anúncios para substituir ou competir com os links patrocinados. Mas aí a realidade foi mais rápida e decidiu que isso não era suficiente.
Então, pelo bem do seu negócio como um todo, ele fez o mais difícil: aposentou a galinha dos ovos de ouro, não sem antes ter uma galinha substituta. Sabendo como a IA funciona e tendo o maior volume de dados sobre os interesses dos usuários, ele criou um novo modelo baseado numa nova realidade, onde a busca é uma conversa pelo melhor resultado e não por quem dá o lance mais alto.
Claro que isso ainda vai mudar muito, até porque é difícil prever o que é o melhor nesse novo cenário. A IA facilita ao usuário saber o que buscar e dá respostas mais completas, mas isso não serve para tudo e nem para todos. Sem contar que o modelo ainda tem que evoluir muito.
Mas quando um líder do tamanho do Google toma uma mudança drástica em tão pouco tempo, é fácil entender o tamanho da mudança. A pior coisa a fazer numa situação dessas é esperar desacelerar. De forma prática, ainda que você não saiba que rumo a coisa vai tomar, entender o que acontece no seu mercado não é tão difícil. E se antecipar também não. É melhor errar fazendo do que não fazer nada. Porque errar fazendo colocar sua empresa mais próxima do que deve ser feito. Estamos num momento onde cinco erros vão valer por um acerto, mas não fazer nada vai valer nada.
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