VAI UMA MÚSICA AÍ?
Arte que se desmancha no ar
2/5/20264 min ler


Você já sonhou em escrever uma música? Já tentou? Conseguiu?
Para a maioria das pessoas, o não para as 3 perguntas (ou para pelo menos 1) é a resposta mais provável. Por vários motivos: porque nem todo mundo sonha com isso, porque nem todo mundo toca alguma coisa e porque compor música é difícil,
Quer dizer, era. Porque a IA não está no mundo a passeio, ela veio para mudar e para ficar. Então, esqueça o que você sabia sobre música feita com inteligência artificial. E não é apenas porque as paradas de sucesso já estão repletas de bandas e artistas fictícios, mas porque o mundo está vivendo uma nova era.
Quem nasceu no mundo analógico como eu, cresceu sabendo que arte sempre esteve ligado à escassez, ou seja, quanto mais rara, mais valiosa. Um peça de arte, como uma música, era um produto de dias, meses e anos de dedicação, inspiração, talento, habilidade etc. Quantos Mozart existiram, quantos Beethoven, quantos Beatles? Quantas músicas iguais à Something já foram criadas?
Apreciar música sempre foi um evento. Era necessário ter um equipamento, comprar o disco ou fita cassete, desembalar, colocar e ouvir música a música, sorvendo todo o sentimento que foi impresso naquele álbum. Nunca esqueço quando ouvi pela primeira vez The Dark Side of the Moon, álbum comprado numa leva de liquidação do Eldorado Plaza, mais ou menos 10 anos depois do lançamento original. Que som era aquele? Quem eram aqueles artistas?
Sou capaz de contar a experiência de ouvir dezenas de álbuns com essa emoção. Desde o Hooked on Classics, lançamento da Som Livre que trouxe a música clássica de volta, em estilo dançante, aos lançamentos anuais do Roberto Carlos. Arte na sua essência, do rótulo do vinyl ao encarte.
Lembro do meu primeiro Walkman, no caso, cassette player porque era CCE e da emoção de ter a música comigo onde fosse. Essa paixão pelo hardware e software me acompanha a vida inteira, do Walkman aos MP3 Players, ao iPod, ao iPhone, aos AirPods.
Mas não foi apenas a tecnologia de gravação e reprodução que mudou ao longo desses anos. A facilidade de se ouvir uma música em qualquer lugar levou a outra mudança profunda: na música. Com a Internet, veio acesso a todo um leque de músicos e músicas totalmente distantes, levando a um consumo cada vez maior de música, até chegar ao streaming.
Como bem disse o Sting recentemente, o streaming banalizou o momento de ouvir um novo álbum. Na verdade, ele acabou de acabar com o conceito de álbum que já havia começado nos anos 90. Hoje, um lançamento é multimídia, em todas as plataformas, e o difícil não é mais ser capaz de compor, gravar e lançar uma música, mas de conseguir públicos para ela.
Com a profusão de ferramentas de produção de música, o que era exclusividade de estúdios e gravadoras ou músicos profissionais passou a ser brincadeira de criança. E o conteúdo acabou sofrendo. O importante é sua música ser usada por um influencer e não ser cantada por algum artista.
Voltando à pergunta inicial, eu vou responder por mim: sim, já sonhei (por anos e anos), já tentou (antes, sem sucesso,; agora, me divertindo) e já consegui. E não foi apenas um música: foram dezenas.
A IA tornou minha habilidade super humana? Não e nem esse é o objetivo. Mas a IA me tornou uma pessoa muito mais feliz ao permitir fazer uma coisa que já tinha desistido e riscado da minha lista.c;ui
No mundo atual, pintar um quadro, tirar uma foto ou fazer sucesso é apenas a etapa mais visível e mais óbvia. A questão é o propósito, e aí tudo muda. A arte não existe mais apenas para contemplação. De quadros a esculturas, o consumo de arte mudou. Não consumimos mais a eternidade da obra, mas sua magnitude, mesmo que ela dure apenas alguns minutos. Todo mundo já deve ter vido esculturas em areia, bolos, chocolate etc. São obras que levaram dias e que acabam em minutos.
O mesmo vale para as outras formas de arte. Desde que Andy Warhol resolveu usar as latas de sopa Campbell's como tema, ficou claro que a sociedade de consumo consome não o produto em si, mas o que ele representa. E isso vale para a música também. As pessoas consomem música por minuto. Podem até voltar a ouvir, mas o que ouviram já se foi. Então, não existe produção suficiente no mundo analógico que dê conta da necessidade das pessoas de ouvir algo novo.
Nesse novo mundo, a IA é a única forma de artistas produzirem músicas na velocidade de consumo de seus públicos, ainda que a média de qualidade caia, porque o gosto médio do público também declina a cada ano. Eu diria mais: a IA é a única forma de atender à demanda do mercado mantendo um nível de qualidade aceitável.
Até a IA resolver criar sua própria música. Mas isso é história para outro post.
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